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A Antroposofia e a Pedagogia Waldorf

Prof.ª Rose Oliveira

 

Rudolf Steiner, o fundador da Pedagogia Waldorf, nasceu em 1861 em Kraljevic (hoje Croácia) e faleceu em 1925. Ele estudou Ciências Sociais e Matemática, aprofundando-se em assuntos político-sociais, Literatura e Filosofia. Steiner também foi o autor e editor da primeira edição das Obras Científicas Completas de Goethe.

 

Graças a seus estudos, Steiner conseguiu ampliar e aprofundar o entendimento das obras de Goethe, demonstrando que o ser humano abarca em si todos os reinos da natureza: o Reino Mineral, presente nos ossos e na estrutura física; o Reino Vegetal, manifestado nos processos vitais; e o Reino Animal, refletido nos instintos e paixões humanas. No entanto, é apenas no Reino Humano que surge o princípio da liberdade individual e da autoconsciência, fazendo com que o ser humano pertença simultaneamente aos reinos natural-físico e espiritual, com a Igualdade regendo as questões jurídicas e a Fraternidade sendo fundamental para a atividade econômica.

 

Por meio de uma investigação científica profunda e rigorosa, Steiner explorou tanto o plano físico-sensível quanto o espiritual, permitindo-lhe estudar o ser humano, o universo e todas as relações existentes de forma holística e global. Ele nomeou esse método de Antroposofia: um caminho de desenvolvimento que oferece respostas rigorosas e verificáveis a todos os aspectos relacionados ao ser humano e ao seu mundo.

 

Com base nessa compreensão da vida e do ser humano, surgiram novos impulsos em diversas áreas do conhecimento humano, como Pedagogia, Medicina, Arquitetura, Agricultura, Arte e Movimento, Organização Social, entre outras.

 

Destaca-se também a concepção da Trimembração do Organismo Social, baseada nos ideais da Revolução Francesa: Liberdade na vida cultural espiritual, Igualdade nas questões jurídicas e Fraternidade na atividade econômica.

 

Na educação, isso implica desenvolver nas crianças as bases para um pensamento claro e preciso, livre de preconceitos e dogmas, levando à liberdade; cultivar sentimentos autênticos e respeitosos pelos outros, dentro de um contexto de igualdade de direitos e responsabilidades; e promover uma capacidade robusta de sustentar a fraternidade na vida econômica do futuro.

 

Assim, surge a Pedagogia Waldorf como uma resposta social ao caos pós-Primeira Guerra Mundial. Baseada na concepção de Trimembração Social e nas ideias sócio-antropológicas de Rudolf Steiner, foi organizada uma escola para os filhos dos operários da fábrica de cigarros Waldorf-Astória, em Stuttgart, Alemanha, a pedido do empresário Emil Molt, um grande colaborador desse movimento social.

 

Após extenso estudo com professores sobre Didática, Metodologia e Pedagogia, surgiu a proposta pedagógica Waldorf, com a primeira escola inaugurada em setembro de 1919.

 

Como escolas livres, as escolas Waldorf tornaram possível o impulso da autogestão. No Brasil, a primeira escola Waldorf foi fundada em 1956. Atualmente, existem mais de 73 escolas reconhecidas pela Federação das Escolas Waldorf do Brasil.

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Primeiro setênio
(0 a 7 anos)

"A natureza faz do homem um ser natural. A sociedade faz dele um ser social. Somente o homem é capaz de fazer de si um ser livre”.

Na Pedagogia Waldorf, o ser humano é considerado uma unidade física, anímica e espiritual. O aspecto anímico-espiritual representa a essência única e individual de cada pessoa, enquanto o corpo físico é visto como o instrumento ou imagem desse espírito.

 

Essa perspectiva reconhece que o ser humano não é determinado apenas pela hereditariedade e pelo ambiente externo, mas também pela resposta única e pessoal que ele é capaz de dar às impressões que recebe de seu interior. Ao nascer, cada pessoa carrega consigo um potencial de predisposições e capacidades que irão se desenvolver ao longo da vida.

 

A Pedagogia Waldorf baseia-se em princípios gerais e evolutivos chamados setênios, que descrevem estágios distintos de desenvolvimento humano, cada um com suas próprias necessidades e interesses.

 

No primeiro setênio (0 a 7 anos), o foco está no desenvolvimento do corpo físico como instrumento de ação. Durante esse período, a criança se expressa principalmente por meio da vontade, do desejo e da atividade corporal intensa, o que se transformará, na fase adulta, em diferentes capacidades de atuação no âmbito cultural e espiritual.

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Segundo setênio
(7 a 14 anos)

No segundo setênio (7 a 14 anos), o foco principal está no desenvolvimento anímico.

 

Durante esse período, as energias que se libertaram do corpo físico se transformam em memória, imaginação, ritmo e na busca por imagens que alimentem a fantasia.

 

As imagens têm o poder de evocar os sentimentos das crianças, e é por meio delas que elas se conectam com o conteúdo apresentado.

Terceiro setênio
(14 a 21 anos)

No terceiro setênio (14 a 21 anos), o jovem entra em uma nova fase de relação com o mundo. Suas energias anímicas se tornam independentes, e a vida se torna objeto de sua própria investigação, surgindo uma busca individual sobre tudo o que existe. As forças anímicas, desvinculadas do sentir, despertam o pleno desenvolvimento das capacidades de pensamento lógico, analítico e sintético.

 

Assim, a Pedagogia Waldorf, baseada no profundo conhecimento das características do desenvolvimento humano e na compreensão da conquista da consciência, busca promover e facilitar a prática pedagógica em cada fase da vida humana, garantindo que a aprendizagem se integre harmoniosamente ao desenvolvimento individual, tornando-se significativa. Todo esse processo é complementado pela consciência do professor em buscar a imersão na Pedagogia e na Antroposofia, permitindo que seu próprio crescimento e desenvolvimento ocorram em paralelo ao dos alunos, servindo como exemplo para eles. Afinal, apenas aquele que se educa continuamente e se transforma a si mesmo pode educar plenamente os outros.

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